Julio Soares

Sou professor de Tarot e Tarólogo

Meu primeiro contato com o tarô se deu aos meus 14 anos, em 2008. Na época, eu trabalhava em um posto de saúde de minha cidade natal, como recepcionista. Em determinado momento, Daniela Sopezki, psicóloga do posto e uma grande amiga, me mostrou uma edição do livro “Curso Completo de Tarot”, de Nei Naiff. Ela me deu o livro, dizendo “aprende pra jogar pra mim, tô sem tempo”. E assim fui, lendo o livro e fazendo seus exercícios práticos à medida em que ia avançando na leitura. Na época, os blogs estavam no ápice, e eu conheci diversas fontes preciosíssimas. A obra de Nei Naiff foi minha entrada no tarô tanto do ponto de vista oracular quanto histórico, e eu só consigo descrever minha experiência como uma espécie de obsessão mesmo. Lia tudo, passava noites em claro pesquisando sobre tarô. Passei por muitas armadilhas e muitas coisas boas.

Após quase um ano de leitura e práticas restritas a familiares, joguei pela primeira vez, no dia 14/12/2008 – meu aniversário – para a Daniela e outros colegas do posto de saúde. Desde aquele dia, não parei mais. Demorei muito para começar a cobrar – e mais ainda para de fato me ver como tarólogo.

Ao chegar em Porto Alegre, aos 17 anos, a necessidade de uma renda complementar para pagar o aluguel me “forçou” a falar mais abertamente sobre as leituras oraculares que fazia. Em 2014 comecei a escrever sobre tarô. Na época, chamava minha página de “tarot is fun”, nome que, hoje em dia, vejo que não combina comigo em nada. Nessa mesma época, conheci Giane Portal pela primeira vez – uma grande taróloga e astróloga e queridíssima amiga. Ela foi quem me ajudou a realmente me ver como tarólogo profissional pela primeira vez. Foi mais difícil me assumir como tarólogo do que como homossexual, no início.

As coisas foram acontecendo: conheci amigos da área, as pessoas me pediam aulas particulares, as aulas particulares logo viraram grupos de 3, 4, 5 pessoas, eu atendia em algumas feiras esotéricas, e eventualmente comecei a ter algum nível de visibilidade maior. Apareci em algumas matérias pra TV (na primeira vez em que isso aconteceu, em uma entrevista para o SBT, eu desmaiei), comecei a ser chamado para algumas palestras, tendo turmas maiores, demanda de pessoas de outros estados, etc.

Hoje, já são muitos anos de tarô. Mais de 500 alunos passarem pela minha trajetória, cada um acrescentando novas visões, me acompanhando à medida em que eu descobria coisas novas, aprendendo comigo. O tarô me abriu muitas portas, me permitiu criar amizades com pessoas que eu admiro tanto que chega a doer o coração – me salvou de muito perrengue. Eu gosto muito do que faço, amo de um jeito que não sei nem explicar com palavras – só com cartas. Estar fazendo o que mais gosto, estar formando gente nessa área, estar falando sobre isso, é o que mais me faz sorrir hoje em dia.